Livro vai narrar jornada do Fortaleza da Série C até a disputa da Sula

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“Eu fui para MarabáSalgueiroArapiraca, mais de uma vez, mas estou indo para Avellaneda“. A frase é de Marcelo Paz, atual presidente do Fortaleza. Amanhã, a delegação embarca para a Argentina rumo à estreia na Copa Sul-Americana contra o Independiente, na quinta-feira (13), às 21h30, no Estádio Libertadores de América. É um passo histórico do futebol cearense – 1º jogo oficial fora do País – e a passagem de um filme que começou 11 anos atrás, em 2009, na queda para a Série C do Campeonato Brasileiro.

Nas nuances desse enredo, muitas lágrimas derramadas, inclusive do tricolor sonhador do início, que ainda não era presidente. O passado alicerçou a fortaleza que se construiu. Foi das lições de uma 3ª divisão sem verba e com pouca estrutura que o Leão se nutriu, agigantou-se e atingiu um patamar equivalente ao da torcida que tem: enfim, reinou. No processo dos 101 anos de fundação, foi intensa a maturação dos últimos seis, em sonho que ainda não acabou, é escrito ao vivo. Assim, o presidente do clube, o mesmo Marcelo Paz, resolveu resgatar tal epopeia, em formato de livro, com a publicação “Da C à Sula”.

No processo dos 101 anos de fundação, foi intensa a maturação dos últimos seis. Assim, Marcelo Paz resolveu resgatar tal epopeia em formato de livro, com a publicação “Da C à Sula”. Como o próprio Fortaleza, o projeto é arrojado. Resumir, em detalhes, os quase 1.800 dias que passou pela instituição. Pessoal ou não, as memórias são de uma testemunha ocular da história. O exercício é lembrar o que já foi para explicar o que se é.

Como o próprio Fortaleza, o projeto é arrojado. Resumir, em detalhes, os quase 1.800 dias que passou pela instituição. Pessoal ou não, as memórias são de uma testemunha ocular da história que tem como ápice deixar o clube mais democrático, “de torcedor para torcedor”. O esforço é por fruto da posteridade: na metamorfose, em movimento, o exercício é lembrar o que já foi para explicar o que se é.

Na missão, juntos, os relatos ganham corpo com depoimentos de personagens como o técnico Rogério Ceni, o gerente de futebol Sérgio Papellin, a funcionária Toinha, o vice-presidente Marcello Desidério, além dos ex-presidentes Eduardo Girão e Jorge Mota. O trabalha é dividido com o jornalista Fábio Pizzato, que está auxiliando a produção, prevista para julho.

“A ideia é contar e mostrar ao torcedor a história desse clube, com capítulos que ele não viu. Nós sempre precisamos lembrar onde estivemos até recentemente. O maior perigo é quando se acha que está tudo bem, relaxa, e a vida não é assim, a gente tem que batalhar muito para chegar, para seguir na Série A. Às vezes as pessoas são insaciáveis e aí mora o perigo, no erro de ultrapassar o limite. Para seguir crescendo precisamos pensar grande, mas com os pés no chão”, disse Paz.

A ambição, em si, consolida o DNA tricolor e a linha do tempo. No recorte temporal, os capítulos são dos últimos seis anos, justamente o período em que o então gestor se aproximou do clube para fazer mais, mesmo que ainda longe do mais alto posto. No início, Paz foi diretor de futebol, mais precisamente, o responsável pela formação do elenco em 2015 e 2016 – sucumbiu à frustração. A pressão interna o expulsou da função e dos holofotes e o caminho foi de litígio para ver o Fortaleza crescer, mesmo que a dificuldade ainda perpassasse a temporada da equipe.

Nessa trama, as narrativas do presidente e do próprio Fortaleza se confundem e até se tornam uma só. Do dirigente que não veste preto e ostenta um quadro de Alcides Santos, fundador do clube, na sala de trabalho. Ou mesmo que foi acostumado a cantar o hino tricolor em pé, como o nacional. O fato é que a publicação traz à tona a reviravolta de um anti-herói, daquele que sempre quis ajudar e assim o fez, mesmo sendo rejeitado. E hoje carrega nas costas, um peso diferente, o das glórias: títulos do Campeonato CearenseCopa do NordesteSérie B, 9ª colocação da Série A, vaga internacional e uma gestão feita por muitas mãos, com mando até o fim de 2021.

“O futebol é um drama, tem vilão e herói. Em 2016 fui o vilão, estava exposto, e algumas contratações não foram com meu aval, mas segurei tudo, se desse errado a culpa era minha e foi assim. Ali, viajei do Beira-Rio para Arapiraca, paralelo de competições, e a gente reflete o que está fazendo, onde poderíamos estar. No final, com a eliminação, pedi para sair. Até sugeri ajuda anônima, mas me pediram distância. Então me desliguei, viajei, até que o aval da torcida me trouxe de novo. Voltei como vice e agora presidente. Sei que meu mandato vai acabar, vai vir outro presidente e fazer mais do que eu fiz. Vou voltar para a arquibancada, ser torcedor porque a gente não esquece do futebol, mas o futebol esquece da gente. Vai passar, mas no meu coração, eu vou estar sempre ligado ao clube”, declarou.

No fim, o processo como o todo é de persistência, mas acima de tudo de alguém que queria se entregar ao amor, no caso, fazer do clube a Fortaleza. Dentre os episódios, as inspirações e os medos também serão evidenciados, como a crise de choro que tomou conta do dirigente após a vitória sobre o Goiás, em dezembro no Serra Dourada, que selou a vaga para a Sul-Americana. “Foi tão espontâneo que os jogadores se assustaram e o Rogério veio me abraçar. Passou um filme e eu não imaginava que era real, a gente ia cruzar a fronteira em 101 anos”, relembrou emocionado.

Página em branco

O interessante é que, ainda no início da história, o vislumbre já havia sido dado. Pensar grande faz parte do meio corporativo, onde o presidente se criou. O que vai além é a realização, aí sim um campo nefasto. Pois em 2011, durante um curso denominado Escola de Empresários, Marcelo Paz foi desafiado a descrever a própria vida em 2058 e no descrito, um papel que guarda até hoje carrega o prelúdio: “Fui presidente do Fortaleza e ajudei a levar o time a títulos nunca antes alcançados”.

Com 36 na idade e a gerência de uma máquina de sonhos, o Fortaleza, o ofício requer grandeza, gigantismo. Como foi o processo de contratação do técnico Rogério Ceni, quase um ato de coragem o início da negociação em seguida ao calvário da Série C. No meio de objetivos, dois estão bem definidos para o desfecho da trama, que sequer foi desenhada: “Deixar o time na Série A e entrar no top-20 do ranking de clubes do futebol brasileiro“.

Mas e a ambição? Por vezes, a continuidade é seguir no auge, aos tricolores, estender o devaneio. No ano de 2017, o time estava em 40ª, agora alcançou a 23ª colocação. Dos pedidos de dinheiro para cota de transferência, se tornou sustentável. Dos treinos em bases militares, transformou o Pici em Centro de Excelência. E dos 12 mil sócios fez 34 mil. Amanhã, o passo é de internacionalização. De uma marca e uma torcida que conseguem se mostrar gigantes na Arena Castelão, mesmo diante de gigantes do cenário nacional.

No legado, deixado ano após ano, Marcelo Paz quer um escopo administrativo, esportivo, financeiro e estrutural. O primeiro livro relembra a redenção, mas o futuro se mostra ainda mais grandioso ao Tricolor de Aço. Na Argentina, uma nova história se inicia, dessa vez de patamar ou de grandeza. É o começo dos próximos 100 anos do Fortaleza.

Linha do tempo (partidas) – Memórias do Paz

1 – [10.10.2015] Brasil/RS 1×0 Fortaleza – Estádio Bento Freitas | Eliminação na Série C

2 – [09.10.2016] Fortaleza 1×1 Juventude – Arena Castelão | Eliminação na Série C

3 – [23.09.2017] Tupi 1×0 Fortaleza – Mário Helênio | Acesso para Série B

4 – [03.11.2018] Atlético/GO 1×2 Fortaleza – Estádio Antônio Accioly | Acesso para Série A

5 – [01.12.2019] Goiás 1×2 Fortaleza – Serra Dourada | Vaga garantida na Sul-Americana

Linha do tempo (marcos) – Memórias do Paz

1 – [2016] Criação da marca própria e licenciamento de produtos

2 – [2017] Chegada de Rogério Ceni

3 – [2018] Título inédito da Série B

3 – [2019] Média de público e mosaicos da Série A

5 – [2020] Voo fretado para a Argentina

DN


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