Após 1ª morte, Brasil prevê 20 semanas de “estresse” com coronavírus

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Quantos mortos o coronavírus fará? Ainda não há resposta a essa pergunta, mas, na pior das hipóteses, pode chegar a milhões em todo o mundo, alertaram, nesta terça-feira, especialistas, que, portanto, insistem na importância de medidas como confinamento. Nesta terça-feira, o Brasil anunciou o primeiro óbito pela doença.

O Estado de São Paulo registrou a primeira morte pelo novo coronavírus: um homem, de 62 anos, com histórico de hipertensão e diabetes. Ele estava internado em um hospital particular e não tinha histórico de viagem ao exterior. Apresentou os primeiros sinais de sintoma no último dia 10, foi internado no dia 14 e morreu dois dias depois.

Nesta terça-feira, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que “só teremos paz com vírus quando houver vacina”. Segundo Mandetta, “vacinas não são soluções fáceis, mas são a melhor solução” para esse tipo de patógeno.

A primeira morte no Brasil por causa do Covid-19 reforça as estatísticas mundiais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já registra 7.529 mortes em 159 países, áreas e territórios, desde janeiro. Já o total de casos confirmados no Planeta atinge 184.976.

Mandetta afirmou que os meses de abril, maio e junho serão um período de “muito estresse” e de “ascendente espiral” para os casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus. Conforme reforçou, haverá 20 semanas que serão “duras” a partir do surto epidêmico.

Exterior

A experiência do país mais rico do mundo no enfrentamento à pandemia pode ser desanimador para o cenário da doença no Brasil. Nos EUA, o principal imunologista, Anthony Fauci, do Instituto Nacional de Alergias e Enfermidades Infecciosas dos EUA (NIAID, na sigla em inglês), foi questionado se era possível que centenas de milhares de americanos morressem de Covid-19. Ele respondeu: “Temos que ser realistas e honestos: sim, é possível, e nosso trabalho, nosso desafio, é garantir que isso não aconteça”.

Essas hipóteses são baseadas em simulações matemáticas construídas de acordo com o que os cientistas já sabem sobre a doença (dados de contágio e de mortalidade, por exemplo). Essas projeções não são bolas de cristal, mas ferramentas para orientar políticas públicas. Por isso, consideram o pior dos casos.

Segundo Mandetta, medidas para limitar a circulação de pessoas serão estudadas somente em conjunto com outros ministérios para “não trazer mais problemas por medidas tomadas sem a devida discussão”. “Precisamos ter cautela. Não adianta parar tudo”.

Mortalidade

Os cientistas correm para entender a doença. A mortalidade claramente aumenta com a idade: isso é o que demonstra uma ampla análise publicada por pesquisadores chineses na revista médica americana “Jama”. “O confinamento extremo funciona, mas a questão é se é necessário chegar a isso”, disse Sharon Lewin, do Instituto Peter Doherty para Infecção e Imunidade de Melbourne (Austrália).

Muitas incógnitas permanecem, o que impede de estabelecer claramente sua mortalidade. A principal é o número real de pessoas infectadas, subestimadas em muitos países devido à falta de testes generalizados. Daí a importância dos testes sorológicos que a comunidade científica está atualmente tentando desenvolver.

Diferentemente dos testes atuais, que apontam se um paciente está infectado em um determinado momento, os testes sorológicos detectam anticorpos para determinar se um indivíduo entrou em contato com o vírus. “Quando soubermos isso, teremos um conhecimento muito bom da gravidade da doença, idade por idade”, explicou Cécile Viboud, epidemiologista do NIH (American Institutes of Health).

Mas o tempo é curto: segundo o Imperial College London (ICL), “a ameaça representada pelo Covid-19 para a saúde pública” é comparável à da “gripe espanhola de 1918”.

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Fronteira

O presidente Jair Bolsonaro anunciou, nesta terça, que uma portaria sobre o fechamento de fronteira com a Venezuela em função do avanço do coronavírus deve ser publicada nesta quarta-feira (18). A decisão será oficializada no Diário Oficial da União (DOU). Segundo Bolsonaro, a fronteira com a Venezuela é a “mais sensível”.

“Não é um fechamento total, o tráfego de mercadorias vai continuar acontecendo. Você paralisa Roraima se você fecha o tráfego com a Venezuela, a economia de Roraima desanca”, explicou Bolsonaro. O presidente afirmou que não tem como “tomar medidas radicais”, mas voltou a dizer que é preciso evitar a histeria.

“Alguns acham que a palavra fechar fronteira é uma palavra mágica. Se a gente pudesse, tivesse o poder de fechar fronteira como muitos pensam, não teria entrada de droga, nem de arma no Brasil. Nós temos 17 mil Km de fronteira”, declarou. “Há uma certa histeria com isso tudo, como se fechar fronteira resolvesse o problema, alguns querem que a gente feche os aeroportos”, disse.

Bolsonaro conversou com o presidente do Paraguai, Mario Abdo, sobre a fronteira de Ponta Porã e a cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero. “Não tem como você evitar o tráfego de pessoas ali”.

DN


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