Vendedor com deficiência física foi agredido ao cobrar dívida de lutador no Ceará

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Um vendedor com deficiência física em uma das mãos foi agredido, na quarta-feira (6), por um lutador de muay thai que lhe devia R$ 1.120 há dez meses, em Russas, no Vale do Jaguaribe. O vendedor conta que foi à casa do lutador atrás do pagamento e, lá, foi golpeado com murros e chutes, ameaçado de morte e de ser enterrado nos fundos da residência. No dia do ocorrido, o agressor foi preso e liberado, depois de pagar fiança de R$ 10 mil durante uma audiência de custódia, de acordo com a Polícia Civil.

Francisco Alex de Carvalho, 35, diz que o lutador era cliente dele há dez anos e, em março de 2020, comprou perfumes e uma carteira importada. “Depois que fiz a venda, ele não atendeu mais minhas ligações, não retornava. Mandei mensagens para o pai dele pedindo que ele acertasse comigo ou pedisse ao filho que acertasse, mas o pai dele informou que não podia se responsabilizar”, afirma.

Segundo a vítima, que trabalha viajando por municípios do interior do estado do Ceará, depois de várias tentativas, conseguiu falar com o lutador, que pediu ao vendedor que fosse à casa dele para pegar o dinheiro.

“Ele (lutador) falou ‘quando chegar em Russas a gente se acerta’. Ele já estava com raiva porque eu falei com o pai dele, mas eu não sabia do que ele era capaz de fazer”, considera. Ao ir à residência do agressor, no Sítio Pepacunha, Francisco Alex foi recebido pelo tio e os pais do lutador, que o chamaram para falar com o vendedor.

“Ele me chamou até a parte de dentro da casa, me questionou por eu ligar para o pai dele cobrando e justifiquei que já havia passado cerca de dez meses da compra, e ele ainda não pagou nenhuma quantia e nem respondia. Foi quando ele falou ‘pois tu mexeu com doido’ e já deu um chute em mim e um murro. Aí, a pistola que estava na cintura dele caiu no chão”, relembra.

O Diário do Nordeste tentou falar com a defesa do lutador suspeito de agredir o vendedor, mas não conseguiu contato. A reportagem também pediu mais informações do caso ao Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE), mas, até a publicação da matéria, não obteve resposta.

‘Iria me matar e me enterrar (no terreno baldio)’

Depois de ser atingido pelos primeiros golpes, o vendedor ficou caído em um dos cômodos do imóvel, enquanto o lutador continuava as agressões. “Ele saiu dando chutes e murros em mim e me levando para o fim da casa dele, onde tem um terreno baldio. Ele mandou eu ir para lá e disse que iria me matar e me enterrar lá”, conforme a vítima.

Pai de quatro crianças, Francisco Alex tentou usar isso como justificativa para o homem poupar a sua vida, mas, de acordo com ele, o suspeito não se comoveu. “Quando eu vi que ele já estava quase no local onde afirmou que iria me enterrar eu quis correr, e ele disse que, se eu corresse, iria me matar”.

Golpes

“Então fui voltando para o mesmo canto, onde comecei a apanhar vi o pai dele só observando a cena, e pedi socorro. Nesse momento, ele deu uma sequência de quatro a cinco murros na minha boca. Saía sangue do nariz, da boca, os meus olhos eu já não conseguir ver direito. Era embaçado, fechando de tanto murro. Ele deu mais de 30 murros na minha cabeça, fora os chutes”, rememora Francisco Alex.

Também de acordo com a vítima, as agressões duraram aproximadamente 20 minutos e só terminaram quando o pai do agressor pediu ao filho para parar, e este não concordou, pois temia que o vendedor os denunciassem.

“Então, seria melhor me matar, enterrar no quintal, dar fim ao meu carro e ninguém saberia o que aconteceu. Passei mais de 20 minutos sendo torturado, ameaçado, agredido e em cárcere privado, pois eles não me deixavam sair de lá. Enquanto o pai dele conversava, ele batia em mim, colocava a pistola na minha cabeça”.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública, o suspeito, de 29 anos, não tinha antecedentes criminais. Ele foi preso em flagrante e autuado pelos crimes de lesão corporal, posse ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. O caso foi registrado e encaminhado ao Poder Judiciário para adoção das medidas cabíveis.

DN


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