Suspeito de tentativa de chacina diz que crime teve relação com prostituta namorada de traficante

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Após quase uma semana da tentativa de chacina no Benfica, fato que deixou seis vítimas baleadas, surge uma nova versão sobre o que motivou o crime. Conforme Walacy Paulo do Nascimento, 18, preso em flagrante, ele foi até o local para assassinar um traficante identificado como ‘Dani Boy’ após ser ameaçado por ter relação sexual com uma prostituta com quem o desafeto mantinha relacionamento amoroso. Na versão contada pela Polícia Civil, o crime aconteceu por desavenças relacionadas a facções criminosas.

Walacy disse à Polícia que comprou uma arma de fogo por R$ 6 mil, na ‘Praça dos Malandros’, centro da Capital, para cometer um crime antes que fosse ele a vítima. Às 16h do último dia 12 de janeiro saiu de casa à procura de Daniel, na Praça da Gentilândia. Só às 20h avistou o desafeto, vendendo drogas. Foi quando, segundo o suspeito, se aproximou de Daniel e disse: “lembra daquele dia que você me bateu?”, sacando a arma e dando início aos disparos.

O suspeito contou que o desafeto correu e tentou se esconder atrás de uma mulher. Walacy diz não se recordar de ter atingido outras pessoas e falou aos policiais que não tinha intenção de ferir ou matar ninguém, que não fosse o ‘Dani Boy’. A reportagem apurou que o desafeto do flagranteado é um dos seis feridos, mas não há informações sobre o estado de saúde dele, nem se já foi localizado pelas autoridades para prestar depoimento.

Não demorou até que Walacy Paulo fosse localizado pelos policiais militares que diligenciavam na noite do ataque. De acordo com a PM, o suspeito foi encontrado em um prédio residencial, minutos após a ação criminosa. Para o advogado do suspeito, prisão aconteceu diante a uma série de irregularidades, agora alegadas pela defesa que busca o relaxamento da prisão. O advogado, que conversou com a reportagem sob condição de não ter seu nome divulgado, conta que na noite do dia 12 de janeiro uma composição da PMCE invadiu o edifício, quebrou diversos objetos, e foram em busca do suspeito entrando aleatoriamente em vários apartamentos.

“Eles quebraram uma parede de gesso no apartamento do irmão dele. Walacy foi colocado na viatura e os policiais continuaram procurando a arma. A mãe do Walacy, sem nenhuma relação com o crime, chegou a ser levada para a delegacia, e só depois liberada. Além da invasão teve constrangimento, ameaça e tentativa de cercear a presença do advogado. Foi abuso de autoridade. No dia seguinte, outra composição foi ao prédio e aconteceu o segundo episódio de invasão. Totalmente arbitrário”, detalhou o advogado.

Consta no inquérito, que os policiais primeiro entraram no apartamento da mãe do suspeito e depois no do irmão dele. Um dos PMs prestou esclarecimento dizendo que entrou no apartamento da mãe de Walacy com autorização dela.

As denúncias contra os militares chegaram à Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD). Por nota, a CGD informou que “determinou a instauração de procedimento disciplinar para a devida apuração do fato na seara administrativa, estando esta, atualmente, em trâmite”. A PMCE não se pronunciou até a publicação desta reportagem.

Sobre o pedido de relaxamento da prisão, a defesa destacou que a conduta praticada pela PM infringiu artigo da Constituição Federal que entende: “a existência de denúncia anônima somada a fuga do acusado, por si só, não configura razões a autorizar o ingresso policial no domicílio do acusado, e muito menos de terceiros, como no presente caso, pois a casa é asilo inviolável protegido constitucionalmente”. Ainda segundo a defesa, “não se justifica toda a ação policial violenta e invasiva supranarrada, uma vez que o autuado é pessoa sem qualquer antecedentes criminais, nem mesmo infracionais, não configurando pessoa de elevada periculosidade”.

No dia 14 de janeiro, a Defensoria Pública do Ceará considerou não haver motivos suficientes para conversão da prisão preventiva e requereu a substituição da prisão em flagrante por aplicação de medidas cautelares. Ainda no mesmo dia, juiz da 17ª Vara Criminal converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva, durante audiência de custódia. A Polícia Civil segue investigando o caso.

Há quase três anos, três das sete pessoas mortas na Chacina do Benfica foram executadas na mesma praça. Além do local, outras vítimas foram alvos na Vila Demétrio e nos cruzamentos da Rua Joaquim Magalhães e Major Facundo, no mesmo bairro. Três homens foram condenados pelo crime, o qual foi motivado, principalmente, por vingança e disputa de facções criminosas.

DN


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